#34 Future Enterprise Show com Madalena Talone

A recente disrupção provocada pela pandemia veio trazer ainda amais alterações ao setor bancário que se assumiu como fundamental no dia a dia dos cidadãos. Mas os últimos dois anos deixaram ainda uma outra certeza: é que o novo normal da banca, e da sociedade em geral, é não haver normal já que nunca se sabe o que o futuro reserva.

#34 Future Enterprise Show com Madalena Talone

O presente e o futuro da Caixa Geral de Depósitos (CGD) – e da banca em geral – numa economia cada vez mais digital deu o mote à conversa com Madalena Talone.  A administradora executiva da CGD falou com Fernando Bação, professor na Nova IMS e Gabriel Coimbra, Group Vice President and Country manager da IDC em mais uma edição do Future Enterprise Show.  

Com uma carreira longa no setor da banca, Madalena Talone é atualmente responsável pelos pelouros da tecnologia, das operações, da banca digital e da transformação na CGD. Uma tarefa desafiante, mas que não assusta: “Algo que pautou o meu percurso foi fazer sempre aquilo de que gosto realmente.” Por outro lado, a administradora executiva da CGD lembra que teve também a capacidade de “ir fazendo muitas coisas diferentes o que permitiu experimentar e trabalhar áreas dispares, mas sempre com o mesmo entusiasmo e vontade de modernizar”. Mas a sorte não é alheia a todo o percurso: “Estar no sítio certo à hora certa e ser convidada para desafios que tive o mérito de saber aceitar foi relevante”. Madalena Talone assegura que se rege pela máxima “faz todos os dias uma coisa que te assuste”, algo que a tem ajudado a evoluir e a crescer pessoal e profissionalmente.  

E, tendo em conta a sua experiência na banca, importa perceber de que forma as TI têm vindo a mudar este setor: “Em primeiro lugar há algo que na banca vamos tendo claro e que é perceber que o normal é não haver normal, ou seja, o mundo muda muito e cada vez mais depressa e não sabemos verdadeiramente o que vai acontecer a seguir.”  

No relacionamento com o cliente, Madalena Talone considera determinante saber usar a tecnologia como parte central do negócio “para garantir uma resposta efetiva a todas as necessidades”. Igualmente fundamental é a forma como se lida com a segurança dos dados e dos sistemas “já que vai continuar a ser muito importante ter certeza que a nossa informação sensível e muito privada está totalmente segura”.  

A importância dos canais 

Nos dias que correm, Madalena Talone sabe que os canais na banca já são muito mais digitais do que eram há uns anos atrás: “A Caixa tem hoje dois milhões de clientes digitais e que são uma parte importante da base de clientes que interagem mais com o banco.” Na verdade, o canal digital permite ao cliente ter mais e melhor acesso ao banco e permite ainda ao próprio banco ter uma maior interação com o cliente. A “interligação entre todos é o segredo” do sucesso.  

Transformar digitalmente a CGD não será tarefa fácil, mas o banco segue no bom caminho: “O plano estratégico da Caixa já está em curso e termina em 2024, assumindo um grande foco na transformação de forma transversal dentro da organização. E as TI devem ser entendidas menos como um enabler e mais como parte importante do próprio negócio.” 

IDC Future Enterprise Show junho 2022, Lisboa

Madalena Talone considera fundamental que “toda a gente da organização tenha literacia digital e também que toda a equipa do IT tenha conhecimento do negócio; disto depende o sucesso da transformação”.  

Neste âmbito da transformação, a administradora executiva da CGD fala na inteligência artificial (IA) como uma realidade muito presente. “O tema da IA é relevante agora, sempre combinando todas as vertentes e abraçando os conceitos de dados e da informação de forma alargada”, diz. Ter a capacidade de atrair talento depende também muito de “conseguir integrar estas novas ofertas de inteligência artificial”, considera Madalena Talone. No lado oposto está o conceito de metaverse, realidade aumentada e virtual e outras tecnologias disruptivas “que ainda estão longe da banca, mas para as quais devemos começar a olhar”.  

A terminar três ideias de leitura - “Autobiografia da Helena Roosevelt”, “Cisnes Selvagens” e Calvin and Hobbes - e um conselho a quem inicia agora a sua jornada profissional: “Podem fazer o que quiserem, não há profissões certas ou erradas… desde que gostem. Não temos de gostar todos do mesmo e todas as escolhas podem ser válidas e trazer valor à sociedade.” 

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