Teletrabalho 2

O Futuro do Workplace será híbrido

Ricardo Magalhães, Enterprise Solutions Senior Manager na Noesis, revela quais os principais desafios e oportunidades inerentes ao contexto do trabalho híbrido e na adoção de workplace solutions por parte das organizações.

Se 2020 foi um ano marcado pelo trabalho remoto, 2021 marcará o forte incremento dos postos de trabalho híbridos. Um dos efeitos colaterais da pandemia foi a mudança do paradigma na forma como se perceciona o trabalho e os espaços de trabalho. Hoje, sabe-se que a grande maioria dos colaboradores consegue ser tão ou mais produtivo a trabalhar remotamente do que no escritório.

O modelo híbrido de trabalho oferece mais flexibilidade aos colaboradores, mas não deixa de ser um modelo desafiador. As empresas precisam de garantir a produtividade e mobilidade dos seus colaboradores, apostando na adoção de workplace solutions.

A adoção de soluções de trabalho remoto levanta ainda questões de cibersegurança. Em grande parte, devido ao facto de os colaboradores utilizarem equipamento profissional para uso pessoal, o que compromete a informação e os dados da organização, dos clientes e até dos próprios colaboradores. 

Assim, é extremamente importante existir um trabalho de consciencialização junto dos colaboradores das organizações.

Os desafios futuros passam pela gestão de espaços, de equipas e de dinâmicas em que as pessoas se habituaram a não ter, por exemplo, que fazer deslocações. Até que ponto é que os colaboradores vão querer abdicar deste ganho atual? Claro que há sempre o reverso da medalha que neste caso são as condições que temos em casa para poder trabalhar.

A adoção de workplace solutions

2020 foi um ano atípico para o mercado de workplace solutions. Apesar de se prever um crescimento do mercado no início do ano, ninguém previa uma pandemia com as dimensões que teve e, consequentemente, com a adoção do número de soluções durante o ano.

A realidade atual potenciou então uma transformação em termos da adoção de soluções de workplace e até da forma como se perceciona este mercado por parte das organizações portuguesas.

Existiram várias fases e várias velocidades neste processo de adoção. A primeira é uma adoção de emergência, onde as organizações tiveram de se ajustar. As empresas que estavam preparadas sentiram um impacto menor, mas eu diria que a sensação que fica é que grande parte das organizações tiveram que tomar uma série de decisões rápidas para poder dar resposta às necessidades. Passou depois a existir uma maturidade na abordagem das empresas, ou seja, pensaram até que ponto é que as soluções arranjadas estão a funcionar e que e que ajustes devemos fazer.

Apesar de entender as vantagens que o trabalho híbrido acarreta, como é o caso da própria gestão do tempo, vão existir cenários díspares e  cada organização vai ajustar aquilo que são as suas necessidades.

O fator da satisfação do colaborador sempre foi um desafio. O local de trabalho deixa de ser imperativo para dar lugar às condições de trabalho. É ainda importante falar das ferramentas que permitem que só a produtividade, mas também o controlo, não nos podemos esquecer dessa componente. Não é só produzir, também tem de haver o controlo do que é feito e como é feito.

Ricardo Magalhães
Enterprise Solutions Senior Manager na Noesis