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A grande medida que as organizações podem adotar é flexibilizar

Teresa Lopes Gândara, Human Capital Director na Noesis, apresentou a sua visão estratégica para a gestão dos recursos humanos da Noesis

A Noesis, consultora tecnológica internacional que oferece serviços de IT, tem como um dos seus objetivos estimular a entrada de mulheres no setor tecnológico. Nesta empresa, já 30% dos talentos são mulheres, e 14 mulheres assumem cargos de liderança.

No âmbito do tema “women in tech”, a Noesis participa em várias iniciativas, bem como incentiva a mobilidade de equipa, de forma a que os seus colaboradores possam exercer as funções de que mais gostam. 

Atualmente, cerca de 30% do headcount da Noesis são mulheres, uma percentagem que sabemos ser acima da média em Portugal e no nosso setor. A atratividade da empresa para este segmento está intimamente relacionada com as condições que são disponibilizadas para todos os talentos: uma gestão por objetivos, um equilíbrio entre vida profissional e pessoal, os benefícios atribuídos, como é o caso, por exemplo, da excelente cobertura que temos no nosso seguro de saúde para partos e do incentivo à família que atribuímos.
Não sendo condições especificamente direcionadas para as mulheres, sabemos que são um fator decisivo na hora de escolher ingressar numa organização.

Trata-se de uma questão cultural que as recentes gerações têm vindo a contrariar. Já vemos muitas jovens nas universidades e nos institutos politécnicos em cursos que, há uns anos, eram exclusivamente frequentados por estudantes do sexo masculino. Na área tecnológica, não há distinção entre funções de homem ou mulher.
As limitações são sobretudo a nível social e cultural, as mulheres/mães continuam a ser as que maioritariamente ficam com os filhos em caso de assistência, por exemplo. Mais do que as limitações impostas pelo mercado e pelas empresas, pelo menos, no setor IT.

Iniciei a minha carreira como consultora de gestão, na área de organização e processos, e posteriormente como implementadora de ERP, o que me permitiu conhecer as várias vertentes de uma empresa e me dotou de uma experiência extremamente valiosa quando me foquei no Capital Humano.

Também, as referências que vão existindo de casos de sucesso de mulheres em posições de destaque são um incentivo para as mais jovens e para que uma carreira no mundo da tecnologia seja atrativa.

Não digo que seja fácil, pois muitas vezes as mulheres são colocadas numa posição onde têm de escolher entre a carreira e a vida pessoal. É essa cultura e forma de organização social que todos temos de combater. As empresas e as políticas de Human Capital devem fazer a diferença. A minha experiência diz-me que é possível conciliar a dimensão profissional e familiar. Implica um esforço acrescido, talvez, mas é recompensador nos dois lados.

Na Noesis promovemos um acompanhamento de proximidade dos responsáveis e líderes de equipas, o que nos permite antecipar situações de desmotivação e cansaço. Temos uma cultura aberta onde o acesso aos coordenadores e à equipa de Human Capital é incentivada. Desta forma, procuramos acompanhar o percurso dos nossos talentos na empresa e encontrar o melhor fit entre aquilo que a empresa tem para oferecer e o que procuram. O objetivo principal é reter os nossos melhores talentos e proporcionar-lhes opções de carreira e progressão no seio da organização. Acreditamos que desta forma, todos saímos a ganhar. Equipas motivadas são equipas mais produtivas, disso não temos qualquer dúvida.

Atualmente contamos com cerca de 940 colaboradores sediados em Portugal, Holanda e Brasil. Na Noesis o trabalho remoto já era uma realidade, nomeadamente na prestação de serviços para outras geografias, pelo que a adoção do teletrabalho foi uma alteração na grande maioria dos casos, muito simples e fácil. A principal mudança foi a alteração dos nossos espaços de trabalho dos escritórios da empresa ou dos nossos clientes para a nossa casa, num momento de confinamento, ou seja, diferente de um regime de teletrabalho “normal”. Passámos a trabalhar na sala, na cozinha, com os outros membros do nosso agregado familiar, com as crianças com horários nem sempre compatíveis com as nossas obrigações, mas ajustámo-nos e conseguimos manter uma boa produtividade e a proximidade possível com a empresa. Quando nos foi possível, retomámos as idas ao escritório, de forma gradual, com todas as medidas de segurança, mantendo um modelo misto de trabalho que acreditamos que será a realidade no futuro próximo.

Teresa Lopes Gândara
Human Capital Director, Noesis