O Futuro da Inteligência

As empresas irão desenvolver novas capacidades de sensorizar e computar os dados, mas sobretudo de utilizar esses dados para criarem valor de forma generalizada em toda a organização.

A Agenda do CEO

Com base em estudos realizados com CEOs e líderes de indústria em todo o mundo, a IDC acredita que os quatro principais temas na agenda do CEO nos próximos anos estarão relacionados com: 

  1. Novos requisitos dos clientes.
  2. Novos recursos e competências.
  3. Novas infraestruturas críticas.
  4. Novos ecossistemas nas indústrias.  

O “Futuro da Inteligência” enquadra-se no tema das “Novos Recursos e Competências” e estará diretamente relacionado com o desenvolvimento de organizações inteligentes. Estudos recentes da IDC realizados com CEOs concluíram que o tema das “Organizações Inteligentes” se encontrava na segunda posição entre os temas mais relevantes para o futuro das organizações. 

O Contexto

As organizações reconhecem que o desenvolvimento de novas capacidades de aprender, combinado com a capacidade de organizar e aceder à Informação necessária para aprender, será uma das principais vantagens competitivas numa economia digital. As vantagens competitivas resultarão em tempos de reação mais curtos, maior sucesso na inovação de produtos e serviços e maior satisfação dos clientes.

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A Inteligência Hoje

Hoje, as organizações aprendem e aplicam o conhecimento em silos funcionais (clientes, operações e financeiros) e orientados a transações / atividades / “data points” isolados. Os principais desafios das organizações estão relacionados com:

  • Pouca retenção e disseminação do conhecimento organizacional (incapaz de ver padrões recorrentes).
  • Incapacidade de combinar diversas fontes de dados internas e externas em informação relevante (levando a decisões estratégicas e práticas de gestão de riscos pouco fundamentadas).
  • Falta de visibilidade transversal dos processos de negócios (limitando a capacidade de utilização e retorno de tecnologias de automação).
  • Falta de visibilidade das redes sociais internas e das comunidades externas (incapacidade de otimizar a utilização dos recursos humanos).
  • Falta de visão consolidada dos dados transacionais / comportamentais / relacionais dos clientes (incapacidade de ter uma visão de 360 graus do cliente e de garantir uma maior personalização).
  • Demora na transformação dos dados em informação, informação em conhecimento, e conhecimento em valor (grande latência de decisão), perdendo o tempo de oportunidades.

A Inteligência na Economia Digital

As empresas capazes de ultrapassar os desafios da Inteligência serão capazes de aprender como uma entidade única e em escala. Nestas organizações, os dados gerados a partir de produtos, serviços, experiências e ecossistemas irão suportar a automação da Inteligência dos processos, em vez de serem simplesmente um sub-produto para suportar sistemas de apoio à decisão humanos.

As empresas irão desenvolver novas capacidades de sensorizar e computar os dados, mas sobretudo de utilizar esses dados para criarem valor de forma generalizada em toda a organização.

À medida que as organizações se transformarem em organizações capazes de aprender irão desenvolver uma cultura cada vez  mais baseada em factos, onde os dados e a Informação disponíveis são o principal suporte à tomada de decisão.

Os “cientistas de dados” serão cada vez mais capazes de combinar o conhecimento dos algoritmos com a compreensão dos objetivos funcionais e dos contextos onde as decisões são tomadas. Estes profissionais irão ajudar as organizações a conectar totalmente os seus processos, ativos físicos e produtos para criar valor a partir de dados anteriormente não utilizados, aproveitar o conhecimento gerado por multidões, usar “digital twins” para a avaliação de cenários, rastrear redes sociais e realizar melhores pesquisas com clientes. A inteligência artificial, inteligência de negócio, inteligência de dados e outro tipo de tecnologias cognitivas serão utilizadas em toda a empresa – vendas, atendimento de cliente, operações, gestão de riscos e TI – para desenvolver uma Inteligência cada vez mais abrangente.

As organizações que forem capazes de entrar nesta economia de inteligência terão vantagens competitivas importantes nas suas indústrias, tal como as organizações que no passado foram capazes de tirar partido das economias de escala. À medida que as empresas forem otimizando e escalando o uso de novas tecnologias para uma maior instrumentação, integração e perceção, irão ser capazes de oferecer uma cada vez maior variedade de experiências e contribuir diretamente para a criação de valor nas organizações.

Marcadores de Mudança

  • Até 2024, as organizações que utilizem inteligência artificial terão uma velocidade de reação a mudanças operacionais e de mercado e tempos de resposta a clientes, concorrentes, reguladores e parceiros duas vezes mais rápida que os seus concorrentes – podendo mesmo ser capazes de antecipar as mudanças.
  • Até 2025, as empresas que utilizem inteligência artificial serão capazes de aumentar em 25% a taxa de sucesso da introdução de novos produtos.
  • Até 2025, as empresas que utilizem inteligência artificial e que escalem o uso de tecnologias emergentes para a uma maior instrumentação, integração e perceção, irão ser capazes de oferecer uma cada vez maior variedade de experiências aos seus clientes e melhorar o seu NPS a uma taxa 1,5 superior à dos seus concorrentes.

Conselhos para os Fornecedores de Tecnologias

Os clientes irão desenvolver novas capacidades de aprender e de organizarem e acederem à Informação necessária para aprender, levando à necessidade de investimentos cada vez maiores em aceleradores de inovação, em particular inteligência artificial. Este contexto irá obrigar os fornecedores de tecnologias a integrarem cada vez mais inteligência artificial nas suas soluções que contribuam diretamente para a melhoria dos processos de negócio e criação de valor das organizações. 

Bruno Horta Soares
Leading Executive Advisor at IDC Portugal