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Repensar a Educação

Pedro Santa Clara, Diretor da Escola de Programação 42 Lisboa, veio refletir sobre a evolução do setor do ensino, mais concretamente sobre o tradicional Ensino Universitário.

Pedro Santa Clara - Diretor da 42 Lisboa

Pedro Santa Clara começou a sua exposição falando sobre o futuro da educação e mais concretamente sobre o Ensino Universitário: «Estou convencido de que a educação vai ter nos próximos 10 anos uma revolução muito grande: mudará mais nos próximos 10 anos do que nos últimos 1000. E 1000 anos não é exagero! Porque a Universidade mais antiga do mundo - a Universidade de Bolonha - está quase a fazer 1000 anos». O Diretor da 42 Lisboa acrescentou dados que suportam esta afirmação: em muitas áreas, a percentagem de drop-out (% de alunos que não completam o curso superior em que entram) chega aos 40% a 50%. Por outro lado, há estudos de pedagogia que mostram que a taxa de retenção de conhecimento, no fim de uma aula teórica de 1h30 é de 5% a 10%. 

Neste contexto, Pedro Santa Clara falou-nos do quanto a pandemia que estamos a atravessar impactou a educação. A pandemia veio ensinar-nos que há alternativas quer para os alunos, quer para os professores. As universidades têm agora a possibilidade de se globalizar através de plataformas para disponibilizar conteúdo online. Foi também uma altura  em que os gigantes tecnológicos (Facebook, Amazon e Google) se aperceberam que podem contribuir para a educação. Atualmente sabemos que a aprendizagem baseada em projetos que levam o aluno a pesquisar por si próprio, o contacto com os pares e a aprendizagem por Gamification, é muito mais poderosa.

A escola 42 Lisboa é uma escola de programação onde não há aulas, nem professores e é gratuita - fruto do apoio de mecenas. Os alunos chegam, sentam-se perante uma plataforma gamificada (como um jogo de computador) e são expostos a uma sucessão de problemas, cabendo-lhes a responsabilidade de encontrar o conhecimento para resolver o desafio. Acima de tudo, e tal como Pedro Santa Clara referiu, é chegado «o momento Netflix» das universidades. «Já vimos isto acontecer em muitos setores e chegou a hora do ensino».